20081025

Reportagem 15


Emprego continua em alta e cresce 3,4% em relação a setembro de 2007, diz IBGE


A Pesquisa Mensal de Emprego divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nos últimos meses o número de pessoas ocupadas nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,98 milhões, com alta de 0,7% a meses anteriores e aumento de 3,4% ante o ano passado.

O número de desocupados chegou a 1,82 milhão, com alta de 1,5% ante meses anteriores e queda de 13,2% na comparação com 2007. Os dados foram divulgados pelo IBGE.

O contingente de empregados com carteira assinada (emprego formal) prosseguiu na trajetória de alta, com acréscimo de 1,1% ante meses anteriores e aumento de 6% no confronto com o ano passado.
A massa de rendimento real efetivo dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou R$ 27,9 bilhões em meses anteriores, com aumento de 1,6% ante meses mais anteriores e de 11% ante 2007. Os dados de massa real efetiva referem-se sempre ao mês anterior ao da taxa de desemprego. O rendimento médio domiciliar per capita ficou em R$ 820,75 em setembro nas seis regiões, com alta de 0,3% ante meses anteriores e de 8,4% ante o ano passado.

Mercado de trabalho imune
Os dados da pesquisa mensal mostram que o mercado de trabalho ainda estava imune à crise que se agravou, segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo. “O mercado de trabalho ainda é forte, não vamos dizer que é blindado, mas ainda não há efeitos da crise”, disse.
O argumento de Azeredo é que a taxa de desemprego ficou estável, “o que já era esperado”, a formalidade (emprego com carteira assinada) prosseguiu em alta, a renda média real prossegue em trajetória de expansão e o número de ocupados também cresceu. “Não há nenhum sinal de que o mercado de trabalho esteja sofrendo com a crise econômica”, acrescentou.
O aumento no rendimento médio real dos trabalhadores refletiu o recuo na inflação e a alta no número de contratações com carteira assinada, segundo Azeredo. Segundo o IBGE, a renda média real aumentou 0,9% ante meses anteriores e 6,4% ante o ano passado. A renda é deflacionada pelo INPC médio das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Azeredo ressaltou também que o rendimento real na média de janeiro a até aqui ficou em R$ 1.239,12, ou 3,2% maior do que a renda de R$ 1.200 72 apurada no mesmo período do ano passado.
O gerente de pesquisa do IBGE disse que só um cenário muito atípico evitará que a taxa de desemprego fechada de 2008 seja a menor da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002. A taxa média de desemprego de janeiro até aqui foi de 8,1% este ano, bem inferior à taxa média para o período de 9,7% apurada em 2007. A taxa média no total do ano passado foi de 9,3%.
Azeredo destacou também o aumento no nível de ocupados (porcentual de pessoas em idade ativa que estão ocupadas) para 53%, ante 52,6% em meses anteriores, o que ele considera uma elevação significativa. De acordo com ele, todos esses resultados mostram força do mercado de trabalho. "A crise ainda não chegou ao mercado de trabalho, será preciso esperar os dados dos próximos meses, especialmente de dezembro e janeiro, para checar se haverá efeito da crise no emprego", disse.