20081026

Reportagem 24


Lei Seca gera queda de até 50% na venda de bebidas

Mudança de hábitos de motoristas prejudica bares e restaurantes

A Lei 11.705, conhecida como “Lei Seca”, que proíbe o consumo de qualquer quantidade de álcool por motoristas, não está modificando apenas os hábitos de quem está ao volante. Em Salvador, os prejuízos causados pela nova legislação já estão sendo percebidos por donos de bares e restaurantes. As vendas caíram em até 50%.

De acordo com o presidente do Sindicato de Donos de Bares e Restaurantes de Salvador, Sílvio Pessoa, o movimento nos bares caiu cerca de 40% desde que a lei foi sancionada, em 19 de junho deste ano. “Nós estamos esperando a Federação dos Sindicatos tomar alguma providência. Consideramos essa lei rígida para um país como o nosso”, analisa.

O empresário João Carlos Cerqueira, dono do bar Chuleta, localizado no Vale do Canela, afirma que, nos últimos 20 dias, o estabelecimento registrou uma queda de 50% na venda de bebidas alcoólicas. “Nós vendíamos cerca de 190 caixas de cerveja por semana. Hoje, nem chega perto disso”, diz, com a expectativa de que haja uma flexibilização na lei para que os comerciantes não saiam prejudicados e evitem possíveis demissões.

Quem não quer deixar o prazer da bebida no happy hour ou final de semana está buscando alternativas para manter o hábito. O empresário Gilsivan Montes, de 45 anos, por exemplo, passou a freqüentar um bar próximo de casa e, agora, gasta cerca de 25% a menos porque também economiza o combustível do carro.

Medidas desta natureza podem atenuar os prejuízos dos comerciantes de bairros residenciais, mas não evitam as perdas para quem está instalado na Orla e no Centro. Para Sílvio Pessoa, antes da lei ser implantada, o Estado deveria ter criado alternativas para que o cidadão pudesse voltar a pé ou em transporte coletivo para casa. “Não adianta coibir já que não são oferecidos meios como metrô e o aumento nas linhas de ônibus, além de segurança para as pessoas que querem beber”, finaliza.