
BC anuncia troca de US$ 30 bilhões por reais com o Fed para conter crise
O Banco Central anunciou, que já estabeleceu com o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, uma linha de swap de dólares por reais, no montante de US$ 30 bilhões, válida até 30 de abril de 2009. Isso significa que, de acordo com a autorização recebida pela MP 443, editada na semana passada, o Banco Central irá trocar reais por dólares com o Fed. Esta operação - já feita entre os países desenvolvidos, como Canadá, Austrália e europeus, e que será realizada também com outros três emergentes - vai liberar ao Brasil US$ 30 bilhões de reforço para a munição que o BC pode usar no mercado de câmbio para segurar de uma vez a cotação do dólar.
"O acordo representa a inclusão formal do Brasil entre as economias que são sistemicamente importantes no mundo"
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a operação de swap com o Fed é um reconhecimento da importância da economia brasileira para o mundo e "aumenta os mecanismos de defesa" do país contra a crise.
- O acordo representa a inclusão formal do Brasil entre as economias que são sistemicamente importantes no mundo. Este ato é um reconhecimento importante da qualidade da política econômica do país - destacou Meirelles.
Sem aceitar responder a perguntas, o presidente do BC limitou-se a descrever o acordo reiterando que a operação " é parte da estratégia do Banco Central no combate aos efeitos da turbulência financeira internacional sobre a economia brasileira " .
Segundo Meirelles, essa operação inédita é " extremamente positiva para o Brasil " e tem um significado importante pela inclusão formal do Brasil entre as economias que são sistemicamente importantes no mundo. Meirelles completou explicando que a medida tem como conseqüência prática aumentar os mecanismos de defesa do país " contra os efeitos da restrição de liquidez internacional " .
A autoridade monetária brasileira informou que a linha não implica condicionalidades de política econômica e será utilizada para ampliar os fundos disponíveis para que o BC dê liquidez à economia e contenha os efeitos no Brasil da crise financeira internacional.
O BC, por enquanto, não definiu se vai usar a linha. Segundo a autoridade monetária, a operação, se acontecer, será da seguinte maneira: os dólares serão depositados nas reservas internacionais e o equivalente em reais vai para uma conta do Fed, numa cotação que será fechada no dia. A operação não terá juros, nem variação cambial. Na data marcada para fazer as devoluções, será levada em consideração a cotação fechada no início da operação.
O anúncio inclui também a Autoridade Monetária de Cingapura, o Banco da Coréia e o Banco do México, em montantes e prazos iguais. Dessa forma, estes bancos centrais, de economias emergentes com políticas econômicas responsáveis e importância sistêmica, juntam-se ao Banco da Reserva da Austrália, Banco do Canadá, Banco Central Europeu, Banco Nacional da Dinamarca, Banco da Inglaterra, Banco da Noruega, Banco da Reserva da Nova Zelândia, Banco da Suécia, Banco Nacional Suíço e ao próprio Fed americano na rede global de swaps recíprocos de moedas, constituída com vistas a dar liquidez ao mercado.
"O acordo é parte da estratégia de atuação do BC no combate aos efeitos da turbulência financeira internacional sobre a economia brasileira e evidencia a importância da estreita cooperação entre autoridades monetárias na atual conjuntura internacional. Note-se adicionalmente que a participação do BC nesse acordo contribuirá para preservar o Sistema Financeiro Nacional das restrições de liquidez no mercado financeiro internacional. O BC tomará as medidas regulamentares e operacionais necessárias para a implementação desta iniciativa, observando-se os limites e condições a serem estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional", informa nota distribuída pelo Banco Central.