
DE PARCAS E ALFAMAS
ALGUNS SINAIS
Depois da morte da adolescente Eloá, brutalmente assassinada pelo mostrengo Lindemberg, danou-se a televisão a encontrar crimes do pai da garota. Só de mando descobriram 17. O indigitado fazia parte do Esquadrão do Crime de Alagoas, da Força militar que aterrorizava o estado, campeão em crime de mando. Pobre Eloá, que está vendo, de onde estiver, sua morte ser transformada em pasto para os abutres da imprensa sensacionalista. Servirá de consolo ter sido sua morte útil
para elucidar vários crimes de mando, essa aberração em que o Brasil é tão pródigo?
Não há perdão para quem tira a vida de outro: criminoso tem que pagar por seus crimes.
TOMARA QUE SEJA VERDADE
Quem tem necessidade de hemodiálise em Teixeira de Freitas tem passado por indizíveis sofrimentos, tanto o doente quanto a família. É uma viagem de trevas e dores, levando em média 5 horas até Eunápolis e mais 5 de volta, sofrendo na máquina que faz a filtragem do sangue e , muitas vezes, passando por humilhação até ser atendido. A Prefeitura, há muito tempo, vem prometendo construir uma central de Hemodiálise em Teixeira, que aliviaria em parte tantas dores. A mesma prefeitura tem dado assistência aos doentes, providenciando transporte e uma ajuda de custo para despesas de alimentação, mas o que resolve mesmo é a Central. Parece que agora vai, pois estava havendo transtornos e falta de entendimento entre a Municipalidade e o Governo do Estado sobre a Construção do centro. Uma nota no jornal da Internet do Dep. Getúlio Ubiratan diz que este está intermediando tal solução. Esperemos que sim, mas esperemos a obra. O problema é que os foguetes começam a ser soltados antes e os doentes precisam de tratamento, que não se faz com foguetes.
A coluna festejará com o povo mais uma conquista do povo, se ela vier.
JÁ ERA ESPERADO
Para pagar médicos e fornecedores, a Municipalidade pleiteou junto à Câmara Municipal uma suplementação de 8 milhões de reais de várias secretarias. Acusada de ser responsável pelo aumento, o que não era verdade, a Câmara se reuniu rapidamente e liberou a suplementação. Este humílimo escriba recebeu uma ligação telefônica, na qual um médico afirmava que continua sem receber pagamento. Recebeu setembro e outubro e agora novembro ficaram para trás. Os fornecedores afirmam que nem um sinal de luz receberam, quanto mais qualquer pálida promessa de pagamento. Prevíamos que isso ia acontecer e já sabemos quais os passos que serão seguidos para justificar o absurdo: primeiro a Câmara foi culpada, agora será a imprensa.
Foi assim que este filme passou da última vez que foi exibido.
A CRISE E A REALIDADE
Que a crise mundial atinge em cheio o Brasil, nem há dúvidas. Temos uma situação melhor para enfrentá-la, mas ela nos atinge, pois a globalização é uma realidade para o bem e para o mal. Há, porém, casos que chegariam a ser cômicos se não enveredassem pelo perigoso caminho da tragédia. Na minha bem-amada Urbis 3 há uma senhora que vende frutas, entre elas limões. Ora, esse desavençado escriba é grande consumidor desta fruta cítrica, não só por sua delícia em uma boa limonada, mas por suas virtudes para gota e próstata. Fui pois à casa da minha amiga comprar limões. Lá chegando, estranhei o preço cobrado, afinal há uma semana o custo das frutas era duas vezes menor. Reclamei da acidez do preço, bem maior do que a acidez dos limões. A vendedora, sem qualquer pudor, tascou lá: “A crise encareceu os frutos do limoeiro”. Perguntada como isto acontecera, ela disse que até o frete havia aumentado. Aí, não agüentei: “Mas frete como, se o pé está em seu quintal?” E ela: “não vendo só limões e o frete é de transferência.”
Deixei a limonada para depois.
LABORUM META
Do Latim Fim dos Trabalhos, o dístico está à porta do Cemitério de Teófilo Otoni. Cemitério bem cuidado, com limpeza impecável e água todos os dias. Água. Precioso líquido. H2O. Sabe aquela substância que a gente precisa para lavar as campas dia de Finados? Pois é, em Teófilo Otoni tem. Teixeira, não. Entra ano, sai ano, no dia de Finados é a mesma coisa. Cemitério sujo, campas violadas e sem água. Um dos zeladores do campo santo disse a esse escriba que no dia 1º., véspera do dia dos mortos, dois caminhões-pipa encheram os reservatórios. No dia de Finados, com o imenso fluxo de pessoas que vão visitar a lembrança dos entes queridos, a água acabou antes das 9 horas. E aí a coisa vira a sucursal do inferno. Um calor senegalesco, a sujeira, a poeira e a falta d’àgua. Resultado: pessoas que estão indo à necrópole para rezar ficam nervosas e começam a reclamar. O espírito entra em pane e o que era para ser oração sai entre rugidos de indignação e a alma se torna pequena. Será que dá para se ter mais respeito para com os mortos? Ou todo ano vai ser a mesma cantilena de reclamações? Esta nota vai ficar guardada até o Finados do ano que vem.
Se for o caso vamos repeti-la.
OBAMA é BRASILEIRO
Todos nós sabemos que brasileiro é um cara ousado. Tem opinião pronta sobre o que quer que seja. De física quântica ao círculo de giz caucasiano, passando pelo estudo da psicologia do elefante boiola birmanês. No dia posterior à eleição de Obama, este humílimo escriba descia da Urbis para o Centro, lendo, imerso em prazer, o excelente Risco do Bordado de Autran Dourado, quando foi obrigado a assestar seus ouvidos para os comentários que os outros viajores proferiam a respeito da eleição americana. E como entendiam os comentaristas de plantão sobre tudo o que acontecia na nação do norte que se relacionasse com a eleição de Barack Hussein Obama. De como a eleição ia ser boa para o mundo, de como o preconceito racial fora quebrado, de como a crise ia ser combatida melhor, de como os soldados iam sair do Iraque rapidamente, de como ia ser bom para o Brasil o resultado dessas eleições. Sobre tudo tinham opiniões, buscadas, claro, nas matérias da Globo e da Miriam Porcão. Até que um mais falante e mais opiniático mandou ver: “Os Estados unidos não têm preconceito de cor. O país mais racista do mundo é o Brasil.” O ônibus parou na Rodoviária Velha, descemos todos e o falante mergulhou mais uma vez no anonimato da massa urbana. Este escriba que só sabe as letras do alfabeto, pensou na lição do povo. Por mais que a realidade mediata seja a pior possível, o brasileiro é de um otimismo ingênuo e lírico.“Nos Estados Unidos não tem racismo. O país mais racista do mundo é o Brasil”.
Sociologia é isso, o resto é mera especulação brinquedológica.
GRANDE ATUAÇÃO
Marcante a atuação dos dois jovens advogados de defesa no júri do designer Tarcízio Fernandes, acusado de planejar, junto com a amante, o assassinato do fotógrafo Mejia. O Dr. Daniel e o Dr. Albert conseguiram a absolvição, contra tudo o que se pensava, provando que a acusação era inepta e que nada havia que provasse a participação do designer no episódio.
Os dois jovens advogados, segundo os colegas, foram absolutamente brilhantes.
RESISTÊNCIA
Excelente o romance biográfico, Resistência – A história de uma mulher que desafiou Hitler, der Agnes Humbert. No prefácio do livro, Marina Colasanti escreve: “As mulheres sempre perdem a guerra. Não a querem, mas a perdem. O livro de Agnès Humbert, entretanto, consegue não ser um livro de perdas. Eu diria até q eu é um livro de conquistas. Quando se é obrigado a passar seis semanas sem trocar a roupa íntima, proibida de lavá-la e praticamente sem lavar-se, quando os piolhos infestam a cabeça e a fome devora o estômago, manter a dignidade é uma conquista diária. Quando o trabalho é forçado e massacrante, quando não há agasalho contra o frio nem colchão para deitar, quando não há espaço, não há proteção, não há trégua, manter vivos fraternidade e altruísmo é uma conquista.”
No livro há tudo isso e mais: há a idéia de que vale a pena lutar pela liberdade de um povo, mesmo que alguns da pátria se entreguem ao inimigo, em um colaboracionismo lamentável.
Na Nobel tem.
DE PARCAS
“Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer.” (Barão de Itararé)
E ALFAMAS
“Só quem é superficial conhece a si mesmo.” (Oscar Wilde)